Me mandaram…

10 09 2010
Quando o dique estoura
Finais não precisam ser horríveis. É suficiente serem tristes.
Como termina um amor? Talvez não termine, somente mude para o terreno da amizade sem nos darmos conta. O carinho, o respeito, a vontade de dividir alegrias corriqueira continuam a viver e nem sequer notamos que algo morreu. Não admitimos a possibilidade de o eterno não existir. Mas morreu algo quase imperceptível, que só notamos quando não está mais lá, entrelaçando as mãos.
Insultos e traições não são necessários para que o amor termine. Alguns, os mais rudes, clamam pela destruição total, precisam do insuportável para divisar aquilo que um dia foi claro e luminoso transformou-se num lodaçal onde ambos se afogam puxados pelo peso do rancor, pela negativa em abandonar o navio, mesmo rodeados pelos destroços. Não é necessário exterminar tudo de belo para notar que as cores desbotaram e, apesar de ainda harmônicas, já não enchem os olhos de satisfação. A maior dor vem com a constatação de que só amor não basta – a tela que pintamos a quatro mãos pode continuar linda, mas foi, imperceptivelmente, sendo esvaziada de significados e se transformou em algo que observo, mas do qual, tristemente, não faço parte.
O espaço que o amor toma é muito grande; preenche tudo. No momento em que diminui (talvez não diminua, apenas sofra uma metamorfose: não acredito que o amor possa arrefecer apenas se transforma em outra coisa, inominável) sentimos como se tivessem arrancado nosso fígado, nosso rim. Somos assolados pela convicção tão hesitante quanto lancinante de que não sobreviveremos à sensação de não termos mais porto, segurança, paz.
A voz cálida ao telefone nos invade a certeza ainda mais cruel de que, depois dessa fissura, não poderemos levar isso adiante, não poderemos provocar mais dor nem infligi-la a nós mesmos. A certeza de que fomos lançados em alto-mar e já não nos cabe querer ou não – a realidade não precisa de nós.
Então vem o assombro, a sensação de trairmos o outro por já não conseguirmos ser parte de dois, pela estranha e urgente necessidade de sermos um, sozinhos, de nos vermos despejados da visão carinhosa e complacente. “Perdi algo que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se tivesse perdido um terceiro apoio que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável. Esse terceiro apoio eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Sei que só com duas pernas é que posso caminhar, mas a ausência do apoio me faz aflita e me assusta, era ele que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, sem querer precisar me procurar.” (Clarice Lispector)
E será inútil esforçar-se para esquecer – tudo o que um dia se misturou carregará consigo partículas do outro. Talvez venha o arrependimento, o recomeço, as cores voltem a brilhar como antes – mas não se pode contar com isso. Não se pode contar com nada. O único caminho viável é viver e correr o sagrado risco do acaso. E substituir o destino pela probabilidade.
O único caminho é entregar-se à desorientação e ter fé, muita fé, de que ela nos leve a um lugar mais calmo, inabitado por nossa agonia e pelo medo de ficarmos sós.
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I don’t want to wake up

8 09 2010

It hurts more than pain
All these hateful mornings
I don’t want to go to sleep
And I don’t want to wake up
Don’t want to wake up
Oh oh hateful mornings

My bed is my best friend
When I just want it to end
I go day by day
Oh oh this shall also pass.

I need to let go
All the hope I have inside
But letting it go
Means letting it slide

How could i
Please tell me how could i
After all we’ve been through
Why is it so easy to you?

You go back to that past
I’ll go back to my dreams
It all seemed so fast
But it’s never how it seems
Is it? is it? is it?

I’m never gonna mean to you
As much as she does
I’m never gonna break through
This wall that separates us

I’m sorry
I have to go
I forgive you
I have to go
I understand you
I have to go
I feel you
I need to wake up
I’ll loose you inside me
I need to wake up

I don’t want to wake up
I need to wake up
I’m up I’m up





Reagindo…

6 09 2010
Enfrentando as eventuais perdas

O 5 de Ouros emerge do Tarot para você neste momento, Ana, como arcano de aconselhamento. Vamos falar sobre perdas: nem sempre se ganha, às vezes se perde. Nosso ego nem sempre processa bem esta idéia, mas cedo ou tarde precisamos compreender humildemente que não podemos tudo e que mesmo as pessoas mais positivas passam por duros golpes. Você tem duas escolhas: ficar se lamentando pelos cantos ou reagir, compreendendo a perda como um processo necessário de aprendizado. Espera-se sinceramente que você escolha esta segunda opção! Seja lá qual for a situação dura que você poderá passar, saiba se permitir o tempo necessário de lamentação, mas reaja!

Conselho: Aceitação é o primeiro passo para a transformação.





Efeito Borboleta

3 09 2010

Efeito borboleta é um termo que se refere às condições iniciais dentro da teoria do caos. Este efeito foi analisado pela primeira vez em 1963 por Edward Lorenz. Segundo a cultura popular, a teoria apresentada, o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo. Porém isso se mostra apenas como uma interpretação alegórica do fato. O que acontece é que quando movimentos caóticos são analisados através de gráficos, sua representação passa de aleatória para padronizada depois de uma série de marcações onde o gráfico depois de analisado passa a ter o formato de borboleta.

Nossa! Ja se passaram 2 meses desde a minha queda. Passou realmente rapido, mas vezes parece que foi uma eternidade, até porque eu não consigo me lembrar como fazer uma coisa basica que achei q nunca ia esquecer: Andar.

Tirei meus parafusinhos dia 23 de agosto. A operaçao correu bem, mas tive muita reação a tal da anestesia Raqui(diana). Acordei com muita dor nas costas e na bexiga, e muito enjoo. Minha bexiga estava cheia e eu nao conseguia fazer xixi (nossa nunca achei que ia escrever xixi num post ahaha) porque estava tudo anestesiado da cintura pra baixo. Dica: façam muito xixi antes de tomar uma anestesia dessas.

Entao depois passei 7 dias de ressaca. Sabe aquelas ressacas brabas, com enxaqueca, enjoo que vc diz o famoso ” nunca mais eu bebo saporra!” pois é, a mesma, com o pequeno detalhe que eu nao bebi uma gota de alcool. Gente, muito ruim, vomitava as tripas. Mas passou. =)

Agora a nova fase é a recuperacao. Ai como é dificil, eu achei que andaria tao rapido… A fisioterapia é dolorosa, nao consigo me equilibrar no pé, andar sem mancar, ficar de ponta de pé, descer escadas… Achei que rapidim eu ia ta 100% mas o negocio requer muita paciencia, alongamento, dedicação… e DOR.

As vezes bate o desespero e eu acho que nunca mais vou andar normal, correr, dançar, mas logo passa quando eu vejo que to reclamando por besteira. Pessoal que tem acidente e fica realmente sem andar pra sempre, numa cadeira de rodas, ou tetraplegico… ou outras mil coisas piores que meu simples tornozelo ai eu me sinto mal, me lemvanto e paro de me sentir sorry for myself.

Ultimamente tenho pensado muito no efeito borboleta das coisas da vida. Claro que ele sempre acontece, mas as vezes, vc consegue identificar aquela batida de asas que mudou completamente a sua realidade ne. No meu caso foi aquela escada na Alemanha, nao a escada.. a queda e todas as consequencias disso na minha vida e nos meus planos.

Algumas pessoas que tinham saido da minha vida voltaram, e me mostraram amizade e apoio, outras que eu achei que ficariam na minha vida pra sempre, de repente sairam deixando muita dor e decepçao. E isso me faz pensar, será que na nossa vida, tudo acontece por um motivo mesmo? Será que eu estava predestinada a ir pra Alemanha e levar essa queda?

Se eu nao tivesse caido eu provavelmente tinha conhecido a Italia e a Alemanha, teria apertado laços com as pessoas que sairam da minha vida, não teria precisado de cuidados das pessoas ao meu redor, não teria me sentido tão dependente, teria feito um estagio bacana, não teria entrado nessa inércia de nao fazer nada, não teria descansado a mente, não teria reatado laços quebrados, não teria voltado a dar valor a minha Fortaleza, não teria visto as pessoas que realmente se importam comigo… a lista continua… mas sempre serão apenas suposiçoes… A realidade é que é muito claro q aquela queda deu inicio a uma serie de acontecimentos na minha vida que me levaram estar a onde estou hj.

Não estou feliz ainda, tb ainda nao aceitei certas coisas… mas quero acreditar que existe um plano, e que tudo isso que to passando é porque tem uma coisa muito legal no fim, q eu vou me tornar mais eu mesma e uma pessoa mais forte para lidar com os novos obstaculos que vao aparecer… pq eles sempre aparecem né? O que muda é como reagimos quando eles aparecem… Eu não tenho reagido muito bem aos que tem chegado. Quando finalmente parece que nao tem mais nada pra dar errado, chega mais um arrebentando com tudo.

Mas vamos la! Forca! Agora vou fazer exercicios, vou precisar! Ui!

“Em nossas vidas há momentos de alegria e de sofrimento. Se conseguirmos entender que sempre haverá bons e maus, poderemos gradualmente a não o esperar somente bons momentos, e nem a detestar os maus.” (Daisaku Ikeda)





A saga continua…

18 08 2010

Ok, deixei muito suspense. Não era minha intenção juro… mas não tive mais como escrever porque esqueci meu carregador na Alemanha… sem falar que a internet aqui em casa não funciona direito e toda vez que tô escrevendo e a internet cai eu fico puta e paro. Também quando penso que tenho que contar essa história pela 29819832 vez perco logo a vontade.
Caaalma caaalma caaalma que eu explico. Onde estávamos?

Então, lá estava eu alegre e saltitante depois do meu primeiro dia de estágio…ADORANDO aquela cidade, pensando nos dias que viriam e como eu ia ter boas memórias daquele lugar. Fui comprar um ventilador e um celular… estava descendo a escada da loja, que era aquelas de alumínio e puff plaft poing , cai feio e torci meu tornozelo. Ou pelo menos eu achei na hora que tinha só torcido apesar da dor infernal que eu senti.

Cai e fiquei esperando a dor passar e a aglomeração de pessoas foi se formando ao meu redor. (o povo gosta de tragédia no mundo todo viu galera) Logo chegou um funcionário da loja com gelo e perguntando se podia me ajudar com algo. So ele falava inglês das varias pessoas ao meu redor que me perguntavam coisas em alemão. Coloquei gelo e achei que ja dava pra levantar… quando pisei, AAAAAAAIIIIIIIIIIII !

Pronto. O rapazinho funcionário da loja chamou a ambulância e eu fiquei esperando na escada pacientemente moooorta de vergonha. E o rapazinho aperriado, me oferecendo agua, cafe, chá… e eu disse olha, na verdade eu vim aqui comprar um celular, vc pode me ajudar? E ele trouxe na escada os modelos pra eu escolher, escolhi, ele foi no caixa pagar pra mim e ainda configurou o bicho. Certamente uma experiência de shopping única e memorável hahahah.

A ambulância chegou, aquele mico, todo mundo olhando… eu não conseguia ficar seria com a situação, morria de rir da vergonha pensando ” ave maria, eu so torci meu pé e to fazendo esse BAFAFA aqui no centro de Stuttgart, que coisa de mulherzinha fresca” hahahahah pow vcs precisam ver o tamanho do trambolho que era aquela maca. E eu só com o pé “torcido” com aquele auê todo né. Mas fui lá, andei na ambulância pela primeira vez, parecia filme e daqueles sem legendas pq eu não entendia quase nada do que falavam comigo. No caminho, liguei pro Frederik do meu celular novo pra contar que estava indo pro hospital.

Cheguei no hospital, fiz o Raio X e tal, me deixavam de lá pra cá, cá pra lá, sempre me colocando numa nova sala sem dizer o que estava acontecendo. Eu perguntava pras enfermeiras e elas só me diziam que o médico ia falar comigo… “later later.. wait… doctor tell you” AGONIA.

Então me levaram pra uma sala que parecia uma sala de cirurgia. Ninguém me dizia nada, só me pediam pra esperar. Quando vc ta num lugar assim (veja fotos abaixo) algo de bom não vai acontecer. Eu só pensava : pqp vão amputar meu pé esses nazistas!!!!

Quando finalmente foram falar comigo, depois de uns 30 minutos me disseram que eu tinha fraturado e provavelmente teria que operar.

Minha mente: “COMASSIM OPERAR? Não não não, vcs não tão entendendo meus caríssimos médicos alemães, eu só torci meu pé ta certo? Vamos combinar assim: eu finjo que vc não me disse isso, vc me dá meu Gelol , manda eu passar um gelim aqui em cima e fica tudo resolvido? EeEeEeEee ?”

“We will put 4 screws on your ankle to make it stable”. Tipo assim, fooodeuuu. CHOQUE NE! Euzinha que morro de medo de tirar exame de sangue, odeio qualquer tipo de corte, nunca quebrei um osso na vida e nunca fiz cirurgia, que larguei meu futuro brilhante e rico como uma renomada cirurgiã pq não posso ver sangue, ia ter que por parafusos nos meus ossos em plena Alemanha com 4 dias de chegada?? Não não, eu não queria acreditar. Então a médica disse que tava muito inchado e que ia engessar e que no outro dia pela manha eu fosse lá de novo pra fazer novos exames e confirmar a necessidade da cirurgia.

Comecei a chorar, tava com tanto medo gente… quando sai da sala ainda antes de por o gesso o Frederik e o Eugene já estavam lá os bichinhos, esperando preocupados. Eu disse que tava desesperada que ninguém falava inglês direito e que eu não sabia o que tava acontecendo. Finalmente o Freddie me ajudou com as traduções e ficou mais claro: A cirurgia era quase certa, mas eles queriam verificar melhor pq aparentemente o osso que eu quebrei é raro de ser quebrado sem quebrar um monte de outros ossos ao redor. Então eles queriam ter a certeza que era só aquele mesmo.

Fui pra casa já com minha muletas, mas não sabia usar direito ainda. A gente ver o povo usando e pensa que é fácil né? Mas não é não! Especialmente se vc tem os bracinhos fininhos e fracos como o meu. Doía muitooo, tanto a perna quanto os braços…

Logo chegando em casa eu já percebo como é difícil fazer as coisas com um pé só. (Gente imagina aí a logística de entra numa banheira sem por um dos pés no chão nunca, fueda)  O Niels, meu colega de apartamento, fez jantar pra mim e pegou água pra mim algumas vezes. Eu não conseguia nem pegar nada. Ele foi tão bonzinho, mas eu fiquei morta de vergonha, afinal o conhecia a 4 dias. Fui dormir e só o que eu pedia a Deus era que por favor me dissessem que eu precisava operar. Mas fui lá no outro dia e precisou. Realmente eu tinha quebrado apenas aquele ossinho mas tb tinha rompido o ligamento e o cirurgião chefe, depois de discutir com outro cirurgião na minha frente por 20 minutos, em alemão, me disse finalmente que eu teria que operar sim. =(=(=( Lost in translation total.

hyhyhfythyahbyhyss hoykgyrenubrbe hisrytrhdfbgrsrfgs  throsghrhtbcsfghts hyhyhfythyahbyhyss hoykgyrenubrbe hisrytrhdfbgrsrfgs  throsghrhtbcsfghts hyhyhfythyahbyhyss hoykgyrenubrbe hisrytrhdfbgrsrfgs  throsghrhtbcsfghts hyhyhfythyahbyhyss hoykgyrenubrbe hisrytrhdfbgrsrfgs  throsghrhtbcsfghts hyhyhfythyahbyhyss hoykgyrenubrbe hisrytrhdfbgrsrfgs  throsghrhtbcsfghts hyhyhfythyahbyhyss hoykgyrenubrbe hisrytrhdfbgrsrfgs  throsghrhtbcsfghts….(20 minutos) = You have to do a surgery friday. – okaaaayyyyy

Comecei a chorar desesperada, tive que assinar um monte de papeis em alemão autorizando a cirurgia, a anestesia… que foi marcada para a sexta feira. Fui resolver umas coisas de papelada com o seguro depois, e a mulher não falava nada de inglês. Então não conseguimos nos entender. Eis que aparece o meu anjo da guarda enviado pela minha mãe, a Keka.
Keka é uma amiga da minha mãe das épocas de adolescência que mora em uma cidadezinha 1 hora de Stuttgart desde 85 (acho que é 85). Por coincidência ela e a mamãe trocaram emails uma noite antes da minha queda e ela disse que morava perto de Stuttgart. Pois a mamãe entrou em contato com ela e ela foi até o hospital gente, e me ajudou com todas as traduções, conversou com os médicos, me tranquilizou e me levou pra casa dela que era numa vilazinha lindaaa com aquelas casas bem alemãs (pq eu não tinha condições de tomar banho, cozinhar, lavar roupas, fazer compras, nada enfim). Na casa dela, fui super bem tratada, ela fazia tudo por mim. Me ajudava no banho, me ajudava a andar, e ainda fazia massagem com óleo chinês na minha perna e rezava comigo quando e acordava chorando de dor. A sensação que eu tinha era que meu tornozelo estava sendo cortado com serra.  Mas passou passou =)

Me impressionei tb com a quantidade de mensagens e de atenção que eu recebi dos meus familiares e amigos. Pessoas com quem eu pouco falava ou que pouco conhecia estavam me mandando email preocupadas comigo e me desejando boa sorte, energias positivas e melhoras, ligando, mandando sms. Mais uma vez, obrigada a todos vcs. Foi muito importante para que eu ficasse calma e positiva para a cirurgia. Mas mesmo assim gente, com todo esse apoio, eu tava com muito medo dessa cirurgia. Sou muito mole pra essas coisas. E tb estar num pais sozinha , sem entender nada não ajudava muito. Então, conversando com meus pais, vi que o mais correto naquele momento seria voltar para o Brasil. Eu não tinha condições de passar 2 meses sem pisar o pé no chão dependente de pessoas que eu mal conhecia. Sem um apoio que eu teria no Brasil. Então como eu tava muito nervosa e aflita, meu pai foi até a Alemanha para ficar comigo no hospital e me buscar.

Na noite anterior a cirurgia eu nem dormi lógico, tava ainda nervosa…no outro dia fomos para o hospital eu e a Keka. A Keka ficou comigo o tempo inteiro me acalmando até eu entrar na sala de cirurgia. Mas não teve jeito, entrei chorando, me tremendo de medo… ouvi o enfermeiro dizendo “Buenos Diiiiias”… enfiando uma agulha na minha veia e eu perguntando se ia doer… nada mais me lembro. Ja acordei na sala de recuperação operadíssima, sem lombra e sem dor. Eu acordei tão bem disposta que nem me toquei que já tinha sido operada.

Pensei: pqp eu acordei da anestesia e vou ta acordada na cirurgia, nãoooooo. Ai eu perguntei pro enfermeiro desesperada e ele disse que eu já tava operada. Mexi meus dedinhos, tava tudo lá. Então eu dormi de novo e já acordei sendo movida pro quarto e a Keka do meu lado.
Quando acordei foi com muita dor no pé (no dedo mindinho do pé por incrível que pareça, depois descobriram que era um ponto de pressão que tava mal feito no gesso). Dai a enfermeira me deu uma droga lá altamente lombrante que eu fiquei me sentindo embriagada em 2 segundos. Muita lombra, mas a dor passou. Depois disso não sentia mais muita dor não, principalmente comparada a dor de antes de operar. O cirurgião me falou que a operação tinha sido um sucesso. Que eu só tinha colocado 2 parafusos e que eu poderia tirar os dois com 6 semanas.
O que eu mais estranhei no hospital foi o calor. Não tinha ar condicionado no quarto gente. Era uma janelona aberta entrando sol quente. Um calor infernal, sem nem um ventilador. Eu pingavaaaaa. Ainda tinha uma véia do meu lado que roncava mais alto que fogos de artifício. Quando foi a noite, umas 11:30pm, meu pai apareceu lá no quarto! Que bom vê-lo! Tão reconfortante saber que ele tava ali pertinho. Agora sim, tudo ia ficar bem. Ele só pôde me ver, pq ninguém pode dormir no hospital, mas no outro dia ele voltou bem cedo, e nos outros 4 dias tb. Mas ele só podia ficar lá no horário de visita. A noite eu tinha que ficar com a velha roncante e uma enfermeira que além de não falar nada nada de inglês ainda era tapada. Ainda lembro que uma noite meu pé doía, e eu falei pra ela por sinais, e ela chegou trazendo uma bacia pra fazer xixi(esqueci o nome daquelas coisas). Alias, ow trocinho humilhante aquela bacia de xixi viu gente. Deuusss que me livre. Emoção quando pude finalmente me levantar e ir no banheiro. E o primeiro banho então.. ahhh que alívio, tomei de água geladaaaa (se vcs não sabem eu odeio agua gelada do fundo do meu coração) e durante muitoooo tempo. Fiquei lá sentada debaixo da agua bem 30 minutos, parada, curtindo aquela limpeza gelada.

Passei 5 dias no hospital de muito tédio. O que me ajudava eram as msgs que Eugene, Freddie e Marco mandavam pro celular e o maravilhosooo hd externo que o Eugene me emprestou cheio de seriados e filmes. Assisti no hospital as 6 temporadas de How I Met your mother! Muito bom! O Niels tb foi um anjo comigo, ia me visitar no hospital, levou cesta de frutas feita por ele e pela Selina (outra colega de apartamento). O Eugene tb sempre dava uma passadinha quando podia, e ainda me levou flores. Eu que nem gosto de flores, adoreeeiii receber. O meu lado do quarto ficou o mais bonito com flores e cesta de frutas. =) Sem falar que meu pai tava ali sempre do meu ladinho durante o dia me mimando. Até vestido na H&M o póbi foi comprar pra mim =)

Depois que sai do hospital fiquei ainda uns 3 dias em casa com o papai. Saímos uma tarde para uma feira alemã de comida e claro cerveja, com a Keka e a sobrinha. Para minha surpresa não tinha salsichão lá, só coisa do mar e outras frituras. Passei foi mal de tanta fritura… mas tomei uma cervejinha alemã, claro. =)

Na ultima noite o Freddie e o Eugene levaram eu e o papai para jantar fora. Tava uma delicia! Não , eu não lembro o nome do prato, mas devia ter muitas consoantes e quase ou nenhuma vogal. Eu ainda não acreditava em tudo que tava acontecendo… eu tava gostando tanto de estar ali, de fazer aquele estágio, tinha sido tão difícil conseguir um estágio e agora eu tava indo pro Brasil mofar em casa? Mas eu acredito que nada acontece por acaso, e se isso aconteceu era porque eu precisava né?

Viemos para Fortaleza eu e papai dia 17 de Julho.  De primeira classe e tudo, pagos pelo seguro de saúde que foi sensacional durante todo o tratamento (MIC, super recomendo). Super atenciosos e sem frescuras. Viajar de primeira classe realmente é o bicho, mas não acho que compense a diferença no valor da passagem não, sinceramente. Massss, eu precisava ir com a perna levantada, foi tudo pago,  então eu aproveitei =D

Agora estou aqui em Fortal, faz 1 mês que cheguei! Nem acredito! O tempo ta voando demais. Dia 23 já faço minha segunda cirurgia, agora para remover os parafusos. To um pouco nervosa, mas nem tanto depois do que já passei. Já sai com meus amigos, matei saudade da minha família, fui pra casamento, ver jogo, na praia, no shopping, no centro espírita… já passeei um bocadim por aqui. Mas por algum motivo eu não tenho mais aquele sentimento de “tô em casa”. Mas tb não tenho mais aquele desgosto por Fortaleza que tinha antes.  Tô feliz de estar descansando, de estar vendo meus amigos, de estar matando a saudade das coisas que gosto daqui. Fortaleza vai tá sempre no meu coração, e eu vou sempre querer voltar, esteja onde eu estiver. As pessoas que estão aqui são muito especiais pra mim e eu vou sempre sentir saudade, e sempre querer ta perto. Eu tava morrendo de saudade de todos, só não tinha ainda parado pra me dar conta disso ainda com a vida corrida que é o mestrado.

Final de Setembro to voltando pra Madeira pra continuar meu mestrado, que por muita sorte minha não vai ser prejudicado de forma alguma já que to de férias. \o/ Minha prioridade agora é ficar totalmente recuperada pra voltar pra Funchal com todo o pique e com meu tornozelo 100% pra poder correr no Lido, subir todas aquelas ladeiras e voltar pra academia.

Tudo acontece por alguma razão. Já tive algumas pequenas reflexões aqui e confesso que tive certos aprendizados que eu não teria na Alemanha. Depender de alguém pra tudo realmente tem sido um desafio pra mim. Adoro ser independente e fazer o que quero na hora que quero e isso não é mais possível. Tb aprendi a dar mais valor a minha saúde, então to fazendo aqui um checkup geral e vou ter mais cuidado com minha saúde quando voltar para a Madeira, fazer exercícios, me alimentar melhor, tudo. Tb vejo mais claramente como tenho sorte de ter uma família tão maravilhosa por perto e amigos tão divertidos e amáveis. As vezes we take for granted esses presente que temos em nossas vidas. Fazemos drama e ficamos deprimidos com tanta besteira… um fim de namoro, uma decepção com algum amigo, algo que esperamos e não recebemos, o emprego que ta chato… enfim, milhares de coisas que na verdade não são tão essenciais na nossa vida. Deixamos nossa felicidade depender de fatores externos e de outras pessoas, quando só podemos ser realmente felizes quando nos desapegamos de tudo isso e achamos a felicidade dentro de nós mesmos. Tenho repensado muitos aspectos da minha vida e minha forma de ver as coisas. Tenho perdoado o que julgava imperdoável, tenho aceitado o que julgava uma fraqueza se aceitar, tenho agradecido mais, sorrido mais, arriscado mais, calado menos e tenho ficado mais em paz.  Confesso q ainda não tive a iluminação espiritual de porque exatamente isso teve que acontecer comigo. O porque de eu realmente ter que vir ao Brasil e não ter esse estágio que eu julgava ( e ainda julgo) tão importante no meu currículo. Será que foi realmente pro melhor? Será que isso não vai diminuir minhas chances de ter um emprego no futuro? “Não era pra ser” é a vozinha que escuto do meu anjo da guarda.

Seja como for aqui estou, e apesar de algumas dificuldades de locomoção, tenho tido todas as mordomias que eu poderia pedir. Confesso que tenho estado meio preguiçosa e não fiz ainda meu portfolio que eu tanto queria fazer. Acho que to em inércia… mas eu vou fazer… essa semana ja comecei a juntar o material. Agora sai! =)

Queria tb agradecer a atenção de todos os meus amigos e familiares comigo. Vcs tem sido maravilhosos, pacientes e extremamente solidários. Aliás eu tenho me surpreendido com a solidariedade das pessoas que nem me conhecem tb. Sempre querendo abrir portas pra mim, abrindo espaço para eu passar, me dando preferencia, perguntando o que houve e dizendo que vou ficar boa logo. Sinceramente, eu não me lembro de ter sido tão solidária e atenciosa quando algum amigo meu precisou, muito menos a desconhecidos. Mas agora tudo mudou, eu aprendi que existe solidariedade, e como foi bom estar desse lado e receber tanta ajuda.

Eu não sou nem era uma pessoa ruim, era apenas desligada, não era de prestar atenção nas pessoas ao meu redor, sempre ajudava o próximo, mas só quando me pediam. Pode ter certeza que isso mudou mesmo dentro de mim. Sou agora a Rafa solidária… =)
Bem meus leitores, se é que tem algum ainda depois desse meu abandono… fico por aqui. Escrevi muito mas esse post já era pra ter saído. Quem sabe agora que o publiquei, fique mais fácil escrever pouco a pouco o que tem acontecido por aqui.

Bjo a todos…

Fotinhas abaixo…





Alemanha primeiros 4 dias…

16 07 2010

É, demorei pra escrever… mas eu tenho uma ótima desculpa que não vou contar agora pra não ter spoiler…

Entao, dia 1 de Julho cheguei em Stuttgart. Minha primeira vez na Alemanha, cheia de expectativas de um super verão por vir. A Hsinnie (fala-se Xini) , dona do quarto que eu aluguei aqui, foi me buscar na estação central, que é pertissimo aqui de casa. Ela é uma fofa! Super doce e sem falar que é a CARA da Karina, minha amiga-irmã dos tempos de colegio que hoje faz doutorado no Canada e me mata de orgulho.

Enfim, cheguei na casa, todo mundo super doce aqui comigo. Moram 4 na casa, a Hsinnie que estava ja de saida para a Malasia, o Niels, alemão super prestativo, o Marco, italiano que passa azeite no corpo pra correr (WTF), e a Selina, que nasceu na Tailandia, mas mora aqui desde os 10. A dona do apartamento, sra. Monika, tb veio me conhecer, mas ela não fala quase nada de ingles, assim como a maioria das pessoas mais velhas aqui. Ela me trouxe chocolates e ficou conversando comigo em alemão, crente que eu tava entendendo (ahh o poder de um sorriso, acham ate que a gente entende).

A Hsinnie fez um jantar de despedida e me convidou pra jantar com eles. Fiquei na conversa e acabei esquecendo do Eugene e do Frederick (meus chefes do estagio) que tinham ficado de me pegar aqui em casa pra irmos a uma degustação de queijos e vinhos.

Jantar feito pela Hsinnie

De repente eles chegam aqui buzinando, e sobem e comem tb um pouco do jantar. Brindamos minha chegada com Poncha para todos que trouxe na minha mala da madeira. Depois fui pra festinha do vinho que foi organizada pelos amigos do Eugene do curso de Alemão (Eugene é canadense). Comi queijos deliciosossss, vinhos tb mas eu não entendo de vinho, pode custar 2 euros como 20 e eu acho a mesma coisa. Pronto falei.

Queijos e vinhos!

Pessoal la foi super legal, adorei todo mundo, varias nacionalidades diferentes… adoro!

Na sexta foi o jogo do Brasil, (o que perdemos…tristeeee) me vesti toda de Brasil pra assistir o jogo no parque aqui perto. Tem um telao e um beer garden, que é um bar dentro do parque pra vender cerveja e petiscos (a menor cerveja era de 500ml). A cerveja alema pode ate ser boa, mas pqp, é quente. Calor desgracado aqui e o povo tomando cerveja QUENTE? Fala serio. Nao sabem o que é bom…

Bem, cheguei la no parque 2 horas antes do jogo e os brazucas ja tavam dominando com suas bandeiras e apetrechos verde e amarelo. Me sentei em uma das mesas, pus minha bandeira do Brasil em cima, e logo chegou um casal brasileiro , se apresentou e sentou comigo. Eu tava esperando o Freddie e o Eugene que disseram que iam me encontrar… mas o jogo comecou e nada deles.

20 min depois que o jogo comecou, o Eugene chega. TODO cheio de sangue no braco e perna! Levou uma queda da bicicleta coitado. Mas nao perdeu o bom espirito e ja chegou querendo cerveja. Mas…. o Brasil perdeu… triste. =(. Nem foto eu lembrei de bater por la.

No sabado entao virei Alema desde criancinha. Fui com a Hsinnie ver o jogo no apto do namorado dela que é alemao. Me vesti toda de Alemanha, ela me deu umas flores, pintou minha bochecha com a bandeira e fomos. Chegando la me senti em casa! Quer dizer, fora a lingua. Mas a casa lotada de jovens, ja bebados, churrasco rolando na varanda, cerveja gelada na geladeira, e todo mundo com roupa da alemanha e vuvuzelas. Parecia jogo do Brasil no Brasil… E o jogo foi um show! 4 a 0! urrul!

Depois claro, como bons torcedores, fomos pras ruas e a putaria tava grande. A comemoracao durou a noite inteira…mas nem bebi muito pq cerveja a 4 euros (com + 2 de deposito pelo copo) nao da pro meu bolso de brasileira… adoreiiii a tarde e a noite! Pessoal suuupeeerrr gente fina, falando ingles, sendo super prestativos! Galera gente boa mesmo! Tinha gente em todo canto, com bandeiras, gritando, carros buzinando… animacao toda!

Domingo fiquei em casa, arrumei o quarto, fiz compras de comida, me preparei pra semana por vir, vi uns episodios de Dollhouse, minha primeira semana de estagio! EeeEeEeEeEeEee! Empolgacao!

Segunda fui andando pro trabalho, olhando a cidade, com bem calma, tudo tao lindo, gosto bem mais daqui do que de Funchal, tem tanta coisa pra ver, tanta coisa acontecendo. Se bem que Funchal agora no verao tb ta cheia de coisas pra fazer… entao talvez nao seja uma comparacao muito justa. So sei que tava feliz.

No estagio foi bem aquela coisa de primeiro dia, me apresentaram o pessoal do escritorio (claaro que nao lembro o nome de ninguem). Os meninos prepararam minha mesinha toda bunitinha, teclado novo pro mac, monitor gigante, pronto so preu ligar meu macbook la. E detalhe da sala, do lado tem um XBox com uns puffs gigantes pros momentos de stress. Ahh como eu adoro HCI =)

No primeiro dia, como todo primeiro dia, nao fiz muita coisa, preenchi umas planilhas do excel sobre entidades de microfinancas em mocambique e fiquei me correspondendo com uma pessoa de la. Trabalho meio besta, mas tambem me deram um baita projeto que seria o meu projeto pros 2 meses e meio de estagio. Ja tava comecando a ler as espeficicacoes e pesquisas feitas no final do dia, quando tive que ir embora pois o Eugene ia pra aula de Alemao e o Fredie ja tinha saido pra resolver umas coisas.

Entao aproveitei que sai cedo pra passear no centro, alegre e serelepe, adorando a cidade, feliz de estar aqui, com meu futuro todo pela frente. Eu precisava comprar um celular pebagem desbloqueado pra por meu chip alemao e comprar um ventilador pra conseguir dormir a noite… porque o calor aqui é infernal! 35 graus , sem vento. nao da!

Entao estou na loja de eletronicos de 3 andares, depois de procurar em vao um ventilador e ver que nao tem mais porque todo mundo na cidade ta comprando, eu desco as escadas e numa fracao de segundos, meu destino muda completamente.

Mais no proximo post.

“Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” Clarice Lispector





Festinha na praia

27 06 2010

Olaaaa!
ontem fui a uma festa na praia da Calheta. Meu deus que loucura. Chegando la eu nao conseguia acreditar na quantidade de carros! Acho que a ilha toda tava la, serio mesmo, nunca vi algo assim. Depois de 45 minutos procurando alguma vaga num lugar que tivessemos que andar menos de 3km, finalmente tivemos sorte e achamos uma ate relativamente perto.

Chegando la tava tocando uma banda de Blues showwww num palco enorme na beira da praia. Depois entrou o DJ Oxy que animou pa carai! Nivel Mikonos o negocio! O cara tocava rock, reggae, tecno, trance, uma mistura de estilos muito louca. Finalmente um DJ decente pq o Dj da boate que eu costumo ir por aqui acha que mixar é mexer no volume pra cima e pra baixo. Bissim.

Viramos a noite por la, fazia tempo que eu nao dancava e me divertia tanto! Uma pena eu nao ter levado a camera , mas tb se eu tivesse levado eu tinha perdido certeza do brasil! ahahahahaha alias essa ta ate durando considerando meu historico de cameras.

Eu nao levei camera, entao fica aqui o videozim da festa pra vcs terem uma nocao…

bjsssss, vou fazer meu almoco agora. Paella for one! =D